Escolher uma mochila escolar para uma criança não é só uma questão de aparência. Com a fisioterapeuta Lucie Ternová, fomos perceber como a mochila influencia a postura, no que deves reparar na escolha e como ajudar as crianças a enfrentar o início da escola sem carga desnecessária.
Cadernos novos, lápis de cor bem afiados, a t-shirt passada a ferro para o primeiro dia — há imensos detalhes em que se pensa quando chega a altura de começar a escola. Mas há um que muitas vezes é desvalorizado, apesar de a criança o levar todos os dias às costas: a mochila escolar. Para perceber porque é que a escolha faz tanta diferença e a que deves estar atento/a, falámos com a fisioterapeuta Lucie Ternová.
A transição do jardim de infância para a escola é uma mudança muito maior para o corpo das crianças do que muitos pais imaginam. No jardim de infância, as crianças mexiam-se o dia todo e só raramente levavam mochila.
Ao entrar no 1.º ano, isso muda de um dia para o outro — a criança passa sentada na carteira pelo menos quatro horas por dia e, além disso, tem de levar diariamente uma mochila cheia de manuais e cadernos. Um corpo habituado ao movimento tem, de repente, de lidar com uma carga estática para a qual não está preparado.
Uma mochila mal escolhida ou mal ajustada pode facilmente levar a dores de cabeça e de costas, alterações na postura e cansaço desnecessário. É verdade que há escolas que respeitam esta realidade e, nos primeiros anos, quase não mandam nada para casa — mas, por enquanto, isso ainda é mais exceção do que regra.
Segundo Lucie Ternová, tudo começa com uma regra básica: mesmo a melhor mochila não consegue compensar um peso desadequado para o corpo da criança.
Como orientação geral, o peso da mochila com o conteúdo não deve ultrapassar 10 a 15% do peso da criança — e, mesmo aqui, a constituição física também conta. Para teres uma ideia: numa criança do 1.º ano com cerca de 20 kg, a mochila com tudo lá dentro deveria pesar no máximo 2 a 3 kg.
Se a mochila não for adequada para a criança — seja pelo peso, seja pela construção — o centro de gravidade desloca-se. O corpo tenta compensar como consegue: eleva os ombros, sobrecarregando os músculos do pescoço, ou inclina o tronco para a frente para conseguir “aguentar” o peso nas costas.
Em crianças com hipermobilidade, isto pode refletir-se também na postura global — agrava-se a inclinação dos tornozelos para dentro ou a rotação das pontas dos pés para dentro. Ou seja, uma mochila inadequada não afeta apenas as costas, mas o alinhamento do corpo como um todo.
Do ponto de vista da fisioterapia, a melhor escolha é claramente a mochila. Graças à flexibilidade do material, adapta-se melhor ao formato das costas da criança e as alças assentam melhor nos ombros e nas ancas.
Além disso, na maioria dos casos a mochila é mais leve do que uma pasta escolar, o que é especialmente importante em crianças mais pequenas e leves. As pastas escolares tendem a ser mais adequadas para crianças com uma constituição mais robusta, que conseguem suportar melhor uma estrutura mais rígida e menos maleável.
Não existe uma “melhor mochila” universal. A adequação de um modelo específico depende da constituição da criança — sobretudo da largura dos ombros, do comprimento do tronco e da musculatura.
Por isso, é sempre boa ideia experimentar a mochila na criança, em vez de decidir apenas pelo tamanho ou pela idade indicada na embalagem. Vamos ver no que deves reparar ao escolher uma mochila escolar:
O tamanho da mochila é muitas vezes desvalorizado, mas é um dos parâmetros essenciais que determinam o conforto ao transportar. A mochila deve:
Uma mochila demasiado grande é mais difícil de transportar, porque a criança tem mais dificuldade em estabilizá-la.
Quanto mais leve for a mochila vazia, melhor. Antes mesmo de a encher com manuais, a mochila já tem o seu próprio peso — e esse peso conta para o limite total de 10 a 15% do peso da criança, tal como o conteúdo. Por isso, compensa optar por materiais mais leves.
A mochila deve ter sempre pelo menos uma cinta peitoral — ajuda a manter as alças no lugar e aumenta a estabilidade ao caminhar.
Em crianças do 1.º ano, que ainda são pequenas e estão a habituar-se a transportar manuais, ou quando o conteúdo é pesado, a mochila deve ter também cinta abdominal. Esta ajuda a distribuir o peso por todo o tronco e a transferir parte da carga para a bacia, em vez de ficar apenas nos ombros. Em crianças mais velhas, já não é uma condição obrigatória.
Procura alças largas e macias com bom acolchoamento, que protejam os ombros e as clavículas de marcas e pressão — sobretudo em crianças mais magras, em que alças finas se “cravam” facilmente na pele. Também é importante que tenham ajuste suficientemente longo.
A mochila deve ter um interior bem organizado. Se tiver apenas um compartimento grande e desarrumado, onde o conteúdo se desloca livremente ao caminhar, isso prejudica a estabilidade e o equilíbrio da criança. A criança acaba por compensar inconscientemente o movimento da carga, o que torna a marcha desnecessariamente mais difícil.
Ao escolher, pensa também num material resistente, que aguente o uso frequente, quedas no chão e eventual chuva. Também valem a pena bons elementos refletores e um sistema de abertura fácil.
Por outro lado, não é assim tão importante se a mochila tem o maior número de bolsos, quão cara é a marca ou se tem um autocolante a dizer “ortopédica”. Muito mais importante é que a mochila assente mesmo bem na criança.
Tivemos estes parâmetros em conta também ao escolher modelos específicos que encontras connosco — temos mochilas da marca Baagl, que os cumprem muito bem. Para te inspirares, deixamos algumas sugestões por onde começar.
Para crianças pequenas no 1.º ano, a escolha ideal é a mochila BAAGL AIRY — com apenas 750 g, está entre as mais leves do mercado. Tem costas ergonómicas e bem ventiladas, alças peitorais e abdominais ajustáveis e fecho magnético, que a criança consegue abrir e fechar facilmente sozinha.
Para uma criança mais robusta ou mais alta, é adequada a pasta escolar BAAGL ZIPPPY com corpo reforçado. O sistema das costas pode ser ajustado conforme a altura da criança e, graças à base rígida, a pasta aguenta uma carga maior (peso 1 100 g, capacidade 18 l, carga máxima 6 kg).
Para crianças mais velhas, aproximadamente a partir do 3.º ano, quando é preciso levar mais manuais e cadernos, recomendamos a linha de mochilas BAAGL SKATE. Tem três compartimentos separados, incluindo um bolso para portátil ou tablet, e com capacidade de 25 l e carga máxima de 7 kg oferece bastante espaço para o material escolar que vai aumentando — e pesa apenas 850 g.
Mesmo a mochila melhor escolhida só ajuda a criança se estiver bem ajustada e for usada corretamente. Vamos ver como:
Ajusta-as de forma a que a mochila fique o mais encostada possível às costas e não fique a balançar longe do corpo nem apoiada nas nádegas. Um dos erros mais comuns é levar a mochila só num ombro — a carga fica distribuída de forma desigual e a coluna é sobrecarregada de um lado.
A parte superior da mochila deve acompanhar aproximadamente a altura dos ombros — não deve ficar muito acima da cabeça, mas também não deve assentar demasiado baixo. O bordo inferior deve terminar aproximadamente na zona lombar, e não descer até às nádegas.
Fecha sempre a cinta peitoral — mantém as alças no lugar e aumenta a estabilidade ao caminhar e correr; deve ficar aproximadamente a meio do peito e não deve apertar a criança.
A cinta abdominal, se a mochila a tiver, usa-a sobretudo quando a mochila vai mais carregada ou quando a criança tem um percurso mais longo até à escola. A cinta abdominal transfere parte do peso dos ombros para as ancas. Deve ficar na parte superior da bacia, sobre os ossos da anca, e não à volta da cintura ou da barriga.
Arrumar a mochila também tem uma regra: os manuais maiores e mais pesados devem ficar o mais perto possível das costas; as coisas mais leves, como o estojo ou o lanche, podem ficar mais afastadas, por exemplo nos bolsos da frente.
Na prática, porém, muitas vezes acontece exatamente o contrário — os objetos pequenos ficam encostados às costas e os livros volumosos vão à frente. Isto desloca o centro de gravidade para longe do corpo e a criança tenta compensar uma mochila mal arrumada inclinando-se para a frente ou — se não tiver força — inclinando-se para trás.

Vale a pena verificar de vez em quando o ajuste das alças e das cintas — as crianças crescem depressa e o que assentava bem no início do ano letivo pode deixar de servir passados alguns meses.
Ainda assim, uma mochila bem escolhida e bem arrumada é apenas metade do sucesso. Tão importante quanto isso é o que a criança faz com o corpo no resto do dia.
Com o início da escola, a dose diária de movimento natural das crianças diminui de forma abrupta, comparando com o que estavam habituadas no jardim de infância — e, segundo Lucie Ternová, esta “falha” deve ser compensada de forma consciente.
Ajuda, por exemplo, passar a tarde no parque infantil ou fazer uma atividade física regular, que devolva à criança pelo menos parte do movimento que perde na escola.
Se for possível, é bom que, no 1.º e 2.º ano, seja um adulto a levar a mochila para a escola e de volta, aliviando assim, pelo menos em parte, a carga que a escola coloca sobre a criança.
E se tiveres de guardar apenas uma coisa de todas estas recomendações, é esta: no caminho para a escola e no regresso, vai a pé ou de transportes públicos, não de carro. Este pequeno hábito diário é, muitas vezes, a forma mais fiável de compensar a falta de movimento.
Como perceber que algo não está bem? Vale a pena estar atento/a a estes sinais:
Se a mochila te parece pesada, ou se a criança se queixa, o mais simples é pegar numa balança e confirmar se ainda está dentro do limite referido de 10 a 15% do peso da criança.
Lucie Ternová acrescenta que, pela sua experiência, a postura na transição do jardim de infância para a escola muda sobretudo por falta de movimento. No entanto, se a criança tiver movimento suficiente e, ao mesmo tempo, levar uma mochila com um peso adequado e ainda assim se queixar de dores no aparelho locomotor, faz sentido consultar um/a fisioterapeuta pediátrico/a.
Uma mochila bem escolhida e bem ajustada poupa diariamente à criança uma carga desnecessária e, juntamente com movimento suficiente, ajuda-a a enfrentar o início da escola com mais leveza.
Este artigo foi criado em colaboração com a fisioterapeuta Lucie Ternová. A Lucie é fisioterapeuta pediátrica e foca-se sobretudo em osteopatia infantil. É também treinadora certificada do método do prof. Pavel Kolář — estabilização neuromuscular dinâmica. Encontras mais informações e dicas no Instagram dela @mamasport.cz.

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